• Cleo Araujo

Vinícola Peterlongo em Garibaldi: história e enoturismo

Atualizado: Jun 30

Castelo Peterlongo

A Vinícola Peterlongo, conhecida por elaborar o primeiro espumante brasileiro, em 1913, carrega na sua marca uma história centenária e de muita importância para a cidade de Garibaldi, na Serra Gaúcha. Seu nome se destaca em uma rua e em uma escola da simpática Garibaldi, o que demonstra o quanto a Vinícola Peterlongo significa para essa pequena cidade, que é reconhecida pela sua importância na elaboração da bebida. 


História da Vinícola Peterlongo 


O imigrante italiano Manoel Peterlongo chegou ao Brasil em 1899, trazendo na bagagem o seu conhecimento com espumantes, que iniciou com seu avô. Começou a produzir a bebida em 1913, seguindo a metodologia difundida por Don Pérignon, com o método champenoise.

Em 1915, inaugurou a Vinícola Armando Peterlongo S/A, nome dado em homenagem ao único filho homem da família.


Rótulos históricos da Vinícola Peterlongo que podem ser vistos no museu da vinícola

E olha que fato interessante: a Vinícola Peterlongo foi a primeira vinícola brasileira a empregar mão de obra feminina – isso na década de 1930, gente! A vinícola foi também pioneira na região ao pagar o salário mínimo aos seus operários. Palmas para Manoel Peterlongo!

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O castelo da família Peterlongo, que se encontra no centro da cidade de Garibaldi, foi construído em 1930 e inspirado na região de Champagne (França). Hoje inclui nas suas dependências, além da cave subterrânea da época da construção, a loja com venda a varejo e o museu, que conta, através de móveis, objetos e utensílios, toda a história da vinícola. 


Lateral do Castelo Peterlongo onde acontecem as experiências enoturístas da vinícola

As caves da vinícola, na época da construção, foram projetadas com o objetivo de remontar o ambiente ideal para a preservação de champagnes. Tudo isso através de um túnel que capta o vento minuano típico do Rio Grande do Sul e mantém a temperatura estável em seu interior. 

As Caves da vinícola que podem ser visitadas no tour pelo museu

Em 1942, a vinícola ampliou suas vendas no Brasil e assim, teve também o reconhecimento internacional, levando seus produtos a conceituadas lojas de departamento em Nova Iorque. Com isso, a marca Peterlongo tornou-se na época a queridinha do momento, presente em muitos eventos, até mesmo nos banquetes oferecidos pelo governo da época, Getúlio Vargas, e recebendo elogios até mesmo da rainha da Inglaterra, Elizabeth, em visita ao Brasil.

Carros da família Peterlongo expostos no museu

A Vinícola Peterlongo deu o que falar, tanto que até as vinícolas francesas chegaram a questionar na primeira metade do século 20 a utilização da marca nos seus rótulos, bem como o termo champagne.

Mas, em 1974, o Supremo Tribunal de Justiça do Brasil, julgou improcedente o questionamento e a Peterlongo ganhou o direito da denominação.


O que foi levado em conta: o fato da vinícola ter sido pioneira na plantação de uvas viníferas brancas no Brasil, além de importar leveduras de alta qualidade da França. Portanto, a memória cultural e produtiva da vinícola conseguiu vencer. Afinal, foi na Vinícola Peterlongo que elaboraram o primeiro espumante brasileiro, um verdadeiro Champagne do Brasil. Até então, a bebida só existia no exterior. 


A Vinícola Peterlongo foi guerreira numa época em que não existiam tanques de aço inox, garrafas, rolhas, leveduras, enfim, nada comparado a tecnologia que hoje é acessível a produção do vinho.


Peterlongo veio ao Brasil com outros imigrantes europeus e aqui encontrou muitos desafios, num ambiente muito rústico, nos altos da serra. 


Ainda assim, Peterlongo, com sua grande paixão por vinhos, realizou seus primeiros experimentos no porão de casa, construção que ainda está de pé e hoje pertence à família Becker. À frente de seu tempo, importou leveduras e imprimiu o método champenoise, fazendo história nesse mundo do vinho.


Mal sabia ele que com isso iria transformar o futuro de uma cadeia produtiva inteira, do produtor de uvas à imagem de um país que logo passaria a exportar ‘champagne’ de forma inédita para os Estados Unidos.

Pipas expostas no museu mostrando como era o armazenamento do vinho em décadas passadas

Armando, que acompanhava essa fase do pai, cresceu entre uvas, garrafas e forte formação intelectual. Movido pela admiração e paixão pelo pai, idealizou um sonho e o transformou num império.

Foi um sucessor do seu pai muito respeitado por funcionários e pela comunidade. Um grande incentivador e patrocinador de ações em cinemas e musicais.  


No final da década de 1920, mesmo com a tensão mundial do fim da 1ª Guerra Mundial e da quebra da bolsa de Nova Iorque, a indústria borbulhava.


Era chegado o momento da construção das novas instalações da vinícola. Começa, então, a construção do emblemático Castelo Peterlongo, a moradia da família, a cave subterrânea, além de dois pavilhões, totalmente em pedras basálticas.


O próximo passo foi equipar a vinícola com bombas, pipas, engarrafadoras, pupitres, rolhadeiras, filtros, sistema de frio e colocadores de gaiolas de arame importados da França, Alemanha, Espanha e Portugal. Preciosidades deste período encontram-se no Museu Peterlongo, que integra o Complexo Enoturístico da Vinícola, aberto para visitação.


Época em que o armazenamento passou a ser em tanques de aço inox

As mudanças de mercado e a realidade brasileira da década de 1970 levaram a família a lançar um produto mais fácil de beber, o Espumante de Prata. Oficialmente lançado em 1971, o espumante doce se tornou tendência de mercado e foi um produto que introduziu mais consumidores no mundo do espumante.


Inicialmente, a estratégia deu certo, mas com o passar do tempo as dificuldades aumentaram e a família não conseguia mais obter resultados que permitissem à empresa seguir aquele desempenho de glamour, tão registrado no passado.

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Foi então que, em 2002, a Peterlongo deixou de ser familiar, sendo adquirida por dois investidores que aos poucos foram aprendendo e conhecendo o setor. Até 2015, todo o esforço foi em sanar dívidas e recolocar a empresa nos trilhos, além de preservar todo o patrimônio histórico, cultural e arquitetônico da marca.


A partir daí a Peterlongo reformulou toda a sua linha de produtos. Uma a uma, cada linha recebeu atenção especial. Novas garrafas e novos rótulos abrigaram novos vinhos e novos espumantes. Este amplo trabalho vem sendo liderado pelo consultor internacional, enólogo francês Pascal Marty, winemaker da Peterlongo desde 2016. Junto com ele, a enóloga Deise Tempass atua permanentemente nesta jornada de total transformação.


Loja no local com venda de produtos da vinícola

Os vinhos tranquilos também ganharam atenção, com a ampliação de oferta da Linha Armando Memória, composta por varietais com passagem por barricas de carvalho francês, além da linha de vinhos jovens finos – Terras –, com rótulos de diversas procedências, como Brasil, Chile e Uruguai. O resultado já acumula prêmios internacionais que reconhecem a qualidade dos produtos, assim como para os espumantes.


Sala onde é realizada a degustação

Atualmente, a propriedade em Garibaldi possui mais de 50 mil m². Em Encruzilhada do Sul, a vinícola possui cerca de 220 mil m² de área cultivada, de onde são retiradas todas as uvas destinadas à produção de vinhos finos, além de espumantes. O restante é fornecido por agricultores parceiros.


No ano de 2016, a Peterlongo iniciou se destacando como a segunda vinícola brasileira que mais exporta, conforme dados do Ibravin. A maior conquista foi o mercado da China. Hoje, a empresa exporta para a China, Colômbia, Paraguai, Equador, México e Venezuela.



Experiências Enoturísticas da Vinícola Peterlongo


O tour da Vindima Peterlongo - 19 de janeiro a 8 de março


Uma experiência completa que inicia num tour pelo museu do Castelo Peterlongo, onde se preserva uma história de mais de 100 anos da vinícola que elaborou o primeiro espumante brasileiro. Na visitação, é possível ver os tanques, a cave subterrânea e a loja com os produtos da vinícola.



Depois de degustar vinhos e espumantes, a vivência se completa com a colheita das uvas nos vinhedos que cercam a propriedade. Cada pessoa recebe uma cesta com tesoura de poda para colher a sua uva, e ainda leva consigo taça, gelo, balde, frios, geleias e torradinhas com espumante ou suco, para usufruir de um delicioso espaço montado com almofadas, no gramado ao lado da mansão.

Experiência incrível, superdescontraída e informal.



Onde: Vinícola Peterlongo - R. Manoel Peterlongo Filho, 216 - Champanhe, Garibaldi/RS 

Valores: O valor da cesta é de R$110,00 (para duas pessoas)

Horário: das 9h às 16h, de hora em hora, no período da vindima (necessita de agendamento prévio)

Mais informações: WhatsApp (54) 98119 6788 ou por e-mail varejo@peterlongo.com.br

Vale destacar que em caso de mau tempo, a programação não acontece devido à colheita.



Wine Movie Vinícola Peterlongo - Calendário 2020


O Wine Movie da Vinícola Peterlongo é literalmente um cinema a céu aberto entre os vinhedos da propriedade. Desde 2016, quando foi criado, o Wine Movie tem uma programação anual de exibição de filmes, de uma forma única e inédita no Brasil. Ainda não conferimos essa experiência de perto, mas com certeza será um dos nossos próximos programas na cidade de Garibaldi.



O Wine Movie abriu a programação do ano no dia 18 de janeiro, e ao longo de 2020 vários filmes serão exibidos. Duas datas foram anteriores a esta postagem. Agora vamos compartilhar as próximas datas, para que possam conferir de perto essa programação e viver a experiência de ver um filme a céu aberto, num ambiente cercado pelos vinhedos e pelo Castelo Peterlongo. A projeção do filme é feita em HD, em uma tela de 8x5 metros. 


E olha essa dica: na época da vindima (até dia 8 de março), é possível caminhar entre os vinhedos e saborear as inúmeras variedades de uva cultivadas no local. Também rola comidinhas de boteco no sistema food truck.


Onde: Vinícola Peterlongo - R. Manoel Peterlongo Filho, 216 - Champanhe, Garibaldi/RS


Datas e filmes a serem exibidos: 22 de fevereiro: Nasce uma estrela / 21 de março: O amor não tira férias / 11 de abril: O lado bom da vida / 9 de maio: Roma / 11 de julho: Rocketman / 8 de agosto: Bohemian Rhapsody / 12 de setembro: O que nos liga / 10 de outubro: Yesterday / 14 de novembro: Na natureza selvagem / 5 de dezembro: Simplesmente amor


Maiores informações e valores: sac@peterlongo.com.br ou pelo WhatsApp (54) 98165 0036

Dica: os ingressos são colocados à venda 30 dias antes de cada filme pelo site www.sympla.com.br ou também podem ser adquiridos na loja da vinícola. Vale destacar que em caso de mau tempo o evento é transferido para o interior da vinícola.


Essa visita a Vinícola Peterlongo foi um convite da Secretaria de Turismo da cidade de Garibaldi, mas nossos comentários e impressões são opiniões pessoais.

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